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Incêndios

O Fogo / Triângulo do Fogo / Noções sobre o fogo / Classificação dos Incêndios / Detecção dos Incêndios / Combate aos Incêndios / Agentes de Extinção do Fogo / Queima Controlada

 

O Fogo

O fogo contribuiu nos últimos anos para destruir uma parte significativa do nosso patrimônio florestal e das nossas paisagens. Os incêndios têm na maior parte dos casos origem, criminosa ou não, na atuação do homem. A acumulação de material lenhoso, o abandono de objetos (vidros, latas e outros objetos refletores) que podem originar a combustão dos resíduos por efeitos do sol, a utilização de ferramentas e máquinas, as fogueiras, as queimadas e os cigarros mal apagados, são algumas das causas involuntárias de muitos dos incêndios que destruíram milhares de hectares de floresta nos últimos anos.

Os prejuízos ambientais e econômicos e sociais chocam quem vive ou viaja pelo nosso Pais. Os prejuízos ambientais estão espelhados, de acordo com o Instituto Florestal "na erosão do solo, nos avanços das dunas, nas alterações climáticas, na regularização do escoamento das águas, nos assoreamentos, na diminuição da renovação do oxigênio do ar, no empobrecimento da diversidade da flora e da fauna e na destruição e alteração da paisagem".

Os prejuízos econômicos e sociais que afetam os proprietários das numerosas pequenas explorações são a conseqüência direta da perda de produção de madeira e seus derivados, de frutos e produtos florestais, de postos de trabalho e da diminuição do valor das exportações florestais.

As causas involuntárias e por negligência, mais freqüentes dos incêndios são:

  • a queima de lixos

  • as lixeiras municipais

  • as queimadas com fins agrícolas

  • o lançamento de foguetes e balões

  • a apicultura

  • as fogueiras durante os períodos de lazer (piqueniques, etc.)

  • as instalações industriais e agrícolas, máquinas e motores

  • as linhas de alta tensão

  • os diversos trabalhos agrícolas florestais e industriais

  • o abandono de objetos de vidro, lata e outros

  • o abandono de restos de cigarros mal apagados

A esta lista de causas involuntárias há que acrescentar, as causas intencionais, que originam o "fogo posto":

  • os conflitos de caça

  • as pressões para comercialização de martelai lenhoso

  • a piromania e o vandalismo

  • as brincadeiras das crianças com fósforos e fogueiras

Entre as causas naturais de incêndios florestais o raio é o mais freqüente.

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Triângulo do Fogo

Para evitar estes atos de negligência, prevenir as causas naturais e colaborar nas diferentes formas de prevenção e de atuação em caso de incêndio, é necessário que as populações tenha uma informação precisa sobre o que é o fogo, ou quais são as condições em que se desenvolve.

 

Para que exista fogo é necessário que se reúnam três elementos a que se chama o "Triângulo do Fogo": o combustível ou seja as matérias ou produtos que ardem (ramos secos, aparas, madeira, mato seco, etc.), o comburente que alimenta a combustão (o oxigênio do ar, no casos dos incêndios florestais) e o calor ou energia de ativação que permite que os primeiros dois elementos entrem em ação.

Para que o material combustível e o comburente entrem em ação é necessário que exista uma energia de ativação ou fonte de calor, isto é a chama de um fósforo, faíscas, incidência dos raios solares sobre objetos que os refletem, tais como vidros, latas e outros. Existe a possibilidade da existência de fogo sem a intervenção de uma fonte de calor, por autocombustão: esta só acontece porém quando as temperaturas da mistura entre o comburente ou material que arde e o combustível ou oxigênio atingem 290º centígrados.

Todas as formas de prevenção e de ataque ao fogo têm em conta um ou mais destes elementos. Evitar acumular matos secos, ramos e outros resíduos florestais é, por exemplo, uma forma de prevenção, porque a sua acumulação em períodos de calor, devido a atos de negligência com cigarros ou outros, faíscas, etc., facilmente dá origem a incêndios difíceis de controlar, sobretudo quando as temperaturas são elevadas e facilitam a combustão. O lançamento de água baixa a temperatura dos materiais que estão a arder e impede a combustão ou que ardam. Quando com se lança um cobertor ou areia sobre um foco de incêndio impede-se que o oxigênio se misture com o material que está a arder e elimina-se o foco de incêndio.

A informação sobre estes princípios é importante em todas as situações e formas de prevenção e de ataque aos incêndios e por isso continuaremos a referi-las nos textos seguintes.

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Algumas noções sobre o fogo

O FOGO é um fenômeno químico que se caracteriza pela libertação de luz e calor.

Os elementos essenciais do fogo são o combustível (C) + calor (ºC) + oxigênio (O²), isto é, C+ºC+O²= fogo.

Estes elementos costuma representar-se num triângulo para mostrar que faltando um deles, não existe fogo.

O combustível é o elemento que serve para a propagação do fogo e são todos os materiais que se possam imaginar: madeira e outro material lenhoso, solventes, óleo, papel, carvão, gás, etc..

O calor ou temperatura de ignição dá início ao incêndio, mantendo e favorecendo a sua propagação.

O oxigênio que está presente em todos os tipos de combustão é o chamado comburente. O oxigênio provoca a "oxidação" necessária ao desencadear das chamas. Em alguns casos a "oxidação" é muito lenta e sem chamas, como na ferrugem; no papel é mais rápida e com chamas: e na explosão da dinamite é instantânea.

O "ponto de combustão" ou a temperatura mínima na qual os gases que se libertam dos corpos combustíveis, ao entrar em contacto com uma fonte de calor externa, entram em combustão e continuam a arder.

Alguns produtos entram em combustão sem necessidade de uma fonte de calor externa. Começam a arder pelo simples contacto com o ar ("ponto de ignição"). Por exemplo o éter se atingir uma temperatura de 180 ºC, entra espontaneamente em combustão em contacto com o ar.

Para que um material (combustível) comece ou continue a arder é necessário que exista uma fonte de calor. Um dos processos de acabar ou evitar a sua propagação, é eliminar todas as formas de propagação de calor.

O calor propaga-se por condução, isto é, por contacto entre corpos. Por exemplo, uma barra de ferro que tenha uma extremidade em contacto com uma fonte de calor provoca um incêndio nos materiais que estão em contacto com ela em todo o seu comprimento.

Propaga-se por contacto direto das chamas com os materiais que estão próximos.

Propaga-se por convecção, isto é, o ar quente de um incêndio torna-se mais leve e ao deslocar-se provoca incêndios. As copas dos pinheiros mais altos podem começar a arder depois de aquecidas, porque o ar quente que provoca esse aquecimento e a sua ignição.

O calor transmite-se ainda por radiação, espécie de ondas caloríficas como acontece com o sol.


Transmissão do calor nos combustíveis

O conhecimento dos três elementos do "triângulo do fogo" e do modo como cada um deles contribui para o início e propagação do fogo, ajuda a tomar medidas preventivas e a atacar com maior eficácia os focos de incêndio ou a evitar a sua propagação.

O incêndio só durará enquanto estiver presentes. Para extinguir um incêndio basta retirar um desses elementos, ou seja, retirar o material ou do combustível, acabar com o calor ou resfriar o material que está a arder ou em contacto com o fogo, retira o oxigênio ou abafar o material que arde para que não entre em contacto com o ar.

Em alguns casos é fácil evitar a propagação de um incêndio retirando o material que começou a arder. Sobretudo quando o objeto se transporta facilmente e existe espaço para ser colocado sem risco de propagação.

O resfriamento é o processo mais utilizado para acabar com o incêndio ou evitar a sua propagação. A água é o elemento utilizado para fazer baixar a temperatura dos materiais que ardem ou para evitar que os que estão em contacto entrem em combustão.

A extinção de incêndios por abafamento é o mais eficaz, mas apenas pode ser utilizado com pequenos focos de incêndio: pôr uma tampa no óleo da frigideira que começou a arder, colocar um cobertor sobre o foco de incêndio, cobrir de terra ou areia os materiais que começaram a arder. É para diminuir o desenvolvimento do incêndio pelo efeito de abafamento que se recomenda que em caso de incêndio se fechem as portas dos compartimentos em chamas, afim de reduzir a entrada de ar ou oxigênio.

Os métodos de extinção de incêndios dependem dos materiais que ardem. Os incêndios dividem-se em 4 classes:

Incêndio Classe A - inclui os incêndios em corpos ou materiais que deixam muitas cinzas: tecidos, madeira, papel, fibras, etc. A sua extinção faz-se por resfriamento, utilizando grandes quantidades de água. Para tornar mais eficaz a água misturam-se "opaficantes" ( produtos que têm mais capacidade de resfriar), "emulsores" (produtos que dão à água maior poder de contacto) e "viscosantes" (produtos que contribuem para que a água penetre melhor nos materiais que estão a arder. Neste tipo de incêndios pode também ser utilizada a espuma e o pó seco dos extintores, porque provocam o abafamento e evitam que o oxigénio continue a alimentar a combustão.

Incêndio Classe B - incêndios em líquidos derivados do petróleo e outros líquidos inflamáveis. gasolina, óleos, tintas outros que quando ardem não deixam cinzas ou brasas. A sua extinção só pode ser feita por abafamento. Não pode ser utilizada a água, mas apenas as espumas e o pó químico seco dos extintores.

Incêndio Classe C - incêndios em equipamentos ou condutores eléctricos. Tem de ser utilizado um produto que não seja condutor de electricidade, isto é o gás carbónico, pó químico. Não pose ser utilizada a água ou a espuma porque são condutores de electricidade.

Incêndio Classe D - incêndios em materiais como o magnésio, o potássio. O sódio, etc. Só podem ser extintos com materiais e métodos especiais, que provocam o isolamento e impedem o contacto com o ar. O pó químico é o único que pode ser utilizado.

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Classificação dos Incêndios

 
 

Incêndios Subterrâneos

    Este tipo de incêndio propaga-se através das camadas de húmus ou turfa existente sobre o solo mineral e abaixo do piso da floresta. Este combustíveis são de textura fina, relativamente compactados e isolados da atmosfera. Os incêndios subterrâneos ocorrem geralmente em florestas que apresentam grande acumulação de húmus e em áreas alagadiças, tais como brejos ou pântanos, que quando secas formam espessas camadas de turfa abaixo da superfície. Normalmente os incêndios subterrâneos são precedidos por incêndios superficiais. Devido ao pouco oxigênio disponível na zona de combustão, nos incêndios subterrâneos o fogo  se propaga lentamente, sem chamas e com pouca fumaça. Por esta razão são difíceis de serem detectados e combatidos. A intensidade de calor e o poder de destruição  desses incêndios são bastante altos. Além de causarem a morte das raízes e conseqüentemente , das árvores, podem danificar seriamente a microbiologia e a fertilidade do solo, favorecendo também a ocorrência de erosão. Dos três tipos de incêndios florestais este é o menos comum e no Brasil ocorrem com mais freqüência  em áreas de cerrado.

 

Incêndios Superficiais

    Incêndios superficiais se propagam  na superfície do piso da floresta, queimando desta forma, os restos vegetais não decompostos, tais como folhas e galhos caídos, gramíneas, arbustos, enfim, todo material combustível até cerca de 1,80 metros de altura. Esses materiais, principalmente durante períodos de seca, são bastante inflamáveis e por isso os incêndios superficiais apresentam propagação relativamente rápida, abundância de chamas e muito calor. Entretanto, comparados com os outros tipos, os incêndios superficiais não são muito difíceis de se combater a não ser em condições extremamente favoráveis à propagação dos mesmos. Os incêndios superficiais são os mais comuns  entre os tipos de incêndio e geralmente é a forma pela qual começam todos os incêndios. Havendo condições favoráveis, como tipo de vegetação, material combustível e condições atmosféricas, os incêndios superficiais podem dar origem tanto a incêndios subterrâneos como de copa, quer as condições favoreçam a um ou outro tipo. Um incêndio superficial pode, e muitas vezes ocorre, queimar árvores inteiras, quando o fogo sobe pelo tronco até as copas. Entretanto, se isto ocorre esporadicamente, através da propagação vertical do fogo, o incêndio permanece na categoria de superficial. 

Em condições normais, plantações de Eucalyptus spp. geralmente desenvolvem incêndios superficiais devido as características do material combustível, do sub-bosque e das próprias árvores, que dificultam a subida do fogo até as copas. Isto não significa que as copas não possam se queimar. Um fogo intenso poderá secá-las através do calor irradiado e num segundo estágio queimá-las totalmente, inclusive através de um incêndio de copa. Em condições normais, no entanto pode-se se citar os incêndios que se desenvolvem  em plantações de eucalipto como exemplos de incêndios superficiais. 

 

Incêndios de Copa

    Os incêndios de copa caracterizam-se pela propagação do fogo através das copas das árvores,  independentemente do fogo  superficial.  Geralmente considera-se incêndios de copa aqueles que ocorrem em combustíveis acima de 1,80 m de altura. Com exceção de casos excepcionais, como alguns incêndios causados por raios, todos os incêndios de copa originam-se de incêndios superficiais. As condições fundamentais para que ocorram incêndios de copa são folhagem inflamável e presença de fogo para transportar o incêndio de copa em copa. Portanto, esse tipo de incêndio desenvolve-se principalmente em povoamentos de coníferas, embora existam também algumas espécies latifoliadas com folhagem inflamável e por esta razão também sujeitas a incêndios de copa. Nos incêndios de copa a folhagem das árvores é totalmente consumida pelo fogo, ocasionando altas taxas de mortalidade na floresta. Este tipo de incêndio propaga-se rapidamente, liberando grande quantidade de calor e tornando o combate extremamente difícil, já que enquanto esta se propagando pelas copas, o fogo é praticamente incontrolável. Os incêndios de copa estão sempre associados, ou são seguidos, por incêndios superficiais, pois o material aceso que cai das copas fatalmente irá queimar o material combustível do piso da floresta.  Em povoamentos de Pinus spp. e Araucaria angustifolia , espécies com copa altamente inflamável, existindo condições  favoráveis, principalmente idade da floresta, densidade e vento, geralmente se desenvolvem incêndios de copa.

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Detecção dos Incêndios Florestais

Introdução

As condições que permitem a detecção rápida e uma resposta pronta aos incêndios na floresta supõem a existência de uma organização complexa e de meios que em geral são da responsabilidade do Governo e das autarquias.

O principal objetivo destes meios de prevenção é reduzir o tempo entre o início do incêndio e a intervenção dos meios necessários para o seu controle e extinção.

A detecção e prevenção de incêndios na floresta apoiasse em meios fixos, automáticos e móveis possui uma estrutura básica que se compõe de uma rede nacional de postos de vigia, centros de prevenção e detecção de incêndios florestais, brigadas de vigilância e primeira intervenção, sapadores florestais e brigadas de investigação de fogos florestais.

Postos de Vigia

A REDE NACIONAL DE POSTOS DE VIGIA, constituída por cerca de 220 postos, distribuídos pelas áreas florestais é uma das principais componentes da rede fixa de vigilância a nível nacional.

O distribuição nacional dos postos de vigia obedece a critérios de distribuição e valor econômico e de ambiente do patrimônio, de topografia e do número e freqüência dos incêndios ocorridos em determinadas regiões. A sua localização obedece a fatores de visibilidade e alcance visual entre eles. Os valores médios das distâncias entre dois Postos de Vigia situa-se entre os 10 e 0s 20 kms. A atual rede de postos de vigia, embora satisfatória, precisa de alguns ajustamentos geográficos e de aumentar o seu número para se adequar às mudanças nas espécies e ao alargamento ou alteração nas áreas florestais. O Norte e Centro do País devido às características das espécies e ao elevado número de montanhas precisa de maior número de postos do que nas regiões mais planas.

A eficácia dos Postos de Vigia depende das capacidades do "vigilante" e dos meios de comunicação de que dispõe para entrar em contacto com o centro de decisão na utilização dos meios adequados.

Centros de Prevenção e Detecção

Os CENTROS DE PREVENÇÃO E DETECÇÃO são em número de 11 e funcionam 24 horas por dia durante a época de maior ocorrência de incêndios. Têm as seguintes funções:

  • centralizar as informações dos posto de vigia, canalizando-os para os meios de combate( Brigadas de vigilância, Sapadores Florestais, Centros coordenadores de meios aéreos e outras entidades).

  • acompanhar a evolução dos incêndios, informando os responsáveis pelo combate das estruturas existentes (rede viária, locais de apoio, pontos de água, etc.)

  • recolher elementos para posterior análise das causas e do modo como se desenvolveu o incêndio

  • articular o trabalho das Brigadas de Investigação de Fogos Florestais com as ações de patrulhamento florestal levadas a cabo por diversas entidades

 

Brigadas de vigilância e primeira intervenção

As BRIGADAS DE VIGILÂNCIA E PRIMEIRA PREVENÇÃO têm como função o patrulhamento da floresta e a atuação imediata após a declaração de um incêndio florestal. Desenvolvem ações que dão resposta às necessidades de informação e sensibilização das comunidades rurais para os riscos de incêndios da floresta. Identificam as zonas de alto risco e colaboram na investigação sobre as causas dos incêndios.

Brigadas de sapadores florestais

As BRIGADAS DE SAPADORES FLORESTAIS foram criadas em 1990, e têm como objetivo a intervenção nas áreas florestais públicas e comunitárias de maior risco. Reforçam as estruturas de vigilância e de prevenção. Complementam também a atividade dos Corpos de Bombeiros na primeira intervenção, no combate e no rescaldo dos incêndios.

Fora dos períodos que precedem a maior ocorrência de incêndios florestais desempenham diversos trabalhos para diminuir o seu risco, nomeadamente reduzem o material combustível em zonas de maior risco, reparam a rede viária e divisional, identificam as áreas de risco potencial e informam e sensibilizam o público.

Brigadas de investigação dos fogos florestais

As BRIGADAS DE INVESTIGAÇÃO DOS FOGOS FLORESTAIS foram organizadas para investigar e inventariar as causas dos incêndios. De fato existe uma elevada percentagem de incêndios para os quais não se encontrou uma explicação das suas causas. O conhecimento destas causas permite melhorar a prevenção e o risco de incêndios, eliminando-as ou tomando as providências necessárias

As Brigadas de Investigação dos Fogos Florestais são constituídas por equipas de 2 ou 3 Guardas Florestais, com formação especializada para detectarem os diferentes tipos de causas.

Detecção móvel terrestre

A DETECÇÃO MÓVEL TERRESTRE é constituída por cerca de 150 brigadas autárquicas de proteção florestal. São uma forma importante de prevenção nas zonas em que as ocorrências de incêndios florestais são mais freqüentes. Estas brigadas autárquicas são um auxiliar indispensável dos corpos de bombeiros e dos Serviços Técnicos com tutela na área florestal.

A missão destas brigadas é a de vigiar e proteger os múltiplos aspectos. Além da detecção e prevenção dos incêndios, fazem a detecção e inventariação das situações de risco, provocado por causas físicas ou humanas, informam e sensibilizam o público à escala municipal e intermunicipal e reparam as infra-estruturas florestais. Colaboram na investigação sobre incêndios e na aplicação rigorosa das leis de defesa do patrimônio florestal.

A sua principal atividade, durante a época dos incêndios é a de vigilância e patrulhamento, o auxílio ao combate aos incêndios e às operações de rescaldo.

No ano de 1997, a DETECÇÃO MÓVEL TERRESTRE teve 150 equipas a funcionar, equipadas com dois veículos motorizados. Atuam durante as horas do dia na época dos incêndios florestais, sob a coordenação de Comissões Especializadas de Fogos Florestais Municipais.

Estas brigadas possuem formação profissional específica e um conhecimento muito profundo da topografia das áreas onde atuam.

Detecção aérea

O plano de detecção elaborado pela Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais dependente do Ministério da administração interna inclui a utilização de 30 avionetas, de 20 aeroclubes , para vigiarem as florestas nacionais.

Estes aeroclubes situam-se principalmente na zona Norte e Centro.

Detecção automática

Outro meio de detecção fixa é a detecção automática das fontes de calor, das chamas e dos fumos, cuja instalação o Governo começou a analisar. Estes detectores têm como base equipamentos sensíveis que sentem o calor através dos infravermelhos, ouvem o incêndio através dos ultra-sons, vêm o fumo e as chamas através de células fotoelétricas e cheiram o fogo pela influência que as partículas dos gases libertados têm sobre campos de ionização.

Os sistemas de detecção automática tem sido utilizados em alguns países com grandes extensões florestais com relevos pouco acentuados e com uma população reduzida. O seu automatismo revela um grande nível de eficácia.

A existência de numerosos relevos e de populações dispersas pelas zonas de floresta dificultam a sua implantação na maior parte das zonas florestais do nosso País de uma forma generalizada. As áreas de cobertura teriam de ser muito reduzidas devido à existência de relevos e de focos de calor e fumos nas habitações Os seus custos são por isso honrosos. Poderá ser, porém utilizado como uma forma complementar de outros meios de prevenção, sobretudo em zonas em que o valor do patrimônio florestal e a freqüência de incêndios o justifique.

Além deste sistema existem outros que utilizam as modernas tecnologias dos circuitos fechados de televisão, a observação por satélite e os sistemas ativos de emissão de radiações por raios laser.

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Combate aos Incêndios Florestais


 

Detecção de incêndios

A detecção de incêndios é feita através de vigilância terrestre, observações por meio de torres e patrulhamento aéreo. O sistema ideal é aquele que pode utilizar todos estes meios de acordo com as circunstâncias.

 

Vigilância terrestre

Este tipo de vigilância pode ser feito a pé, a cavalo ou em veículos. Neste caso, a área a ser observada é limitada. Normalmente é feito ao longo de estradas, junto a divisas de terrenos, em locais próximos a vilas e povoados e locais que tem prioridade de proteção.

A vigilância terrestre é bastante flexível porque pode ser intensificada nos períodos de maior perigo de incêndios e desativada quando não houver risco.

 

Torres de observação

Uma rede de torres de observação é uma das formas mais eficazes na detecção de incêndios florestais. As torres são instaladas em locais estratégicos que permitem uma boa visualização da área ao redor, facilitando o descobrimento de focos iniciais de incêndios.

As torres são construídas de madeira ou metal, tendo no topo uma cabine fechada com visibilidade para todos os lados. A altura varia de 10 a 40 metros, dependendo do local onde são implantadas. A distância entre as torres depende da topografia do terreno e das condições de visibilidade da área. De acordo com SOARES, a distância visual máxima de uma torre de observação, dependendo das condições locais, situa-se entre 8 e 15 km. Desta forma cada torre pode cobrir uma área de 8.000 a 15.000 ha, dependendo principalmente da topografia. 

As torres são equipadas com instrumentos de determinação de direção e de comunicação. Para a determinação de direção da fumaça usa-se um medidor de ângulos horizontais, denominado goniômetro. O goniômetro para localização dos incêndios consta basicamente de um visor dotado de movimento circular, montado sobre um círculo graduado fixo. Olhando-se através do visor para o local da fumaça, um indicador acoplado ao visor apontará no círculo graduado o azimute do local do incêndio. Todos os goniômetros devem ser instalados com o zero do círculo graduado orientado para o norte magnético.

Para a comunicação dos incêndios as torres devem dispor de rádios ou telefones.

A determinação do local do incêndio é feita no escritório central, com base nas informações fornecidas pelas torres. Esta localização é feita pelo sistema de coordenadas, sobre um mapa da área onde estão desenhados os círculos graduados correspondentes aos goniômetros das torres, com a mesma orientação, tendo os zeros na direção do norte magnético.

 
 

Patrulhamento aéreo

Em muitos países tem se empregado aviões de observação para o trabalho de detecção de incêndios como complemento do sistema de torres de observação. De acordo com SHOW & CLARKE, o reconhecimento aéreo apresenta algumas vantagens muito definidas quando usadas como complemento das torres, tais como:

-Nos períodos de brandes riscos, a linha de vôo de um avião pode ser definida de modo que se faça observações sobre as zonas cegas ou invisíveis para o sistema de torres;

-Quando a visibilidade das torres de vigilância é difícil e o alcance efetivo das mesmas fica reduzido, as observações aéreas constituem um bom meio de compensar tal deficiência

-Mesmo que o operador de uma torre de observação possa vigiar a marcha de um incêndio e os movimentos das equipes destinadas a dominá-lo, o avião se encontra em melhores condições de obter esta informação e de transmiti-la ao chefe dos trabalhos de extinção.

-O patrulhamento aéreo pode ser colocado em ação ou retirar-se a qualquer momento para desenvolver outras atividades, inclusive para combater incêndios, enquanto que um sistema de torres de vigilância não permite esta flexibilidade.

 

Avaliação do fogo

A primeira ação ao se chegar ao local do incêndio é avaliar as condições do mesmo. Geralmente a avaliação começa quando ainda se está a caminho do fogo, tão logo seja possível observar a fumaça e determinar sua localização.

Avaliar a situação consiste em fazer uma estimativa de uma condição para chegar a uma opinião. É um processo constante que inicia logo que o incêndio é detectado e comunicado ao responsável e só termina quando o incêndio é completamente controlado.

A avaliação envolve 3 fases. Primeiro os problemas devem ser analisado levando-se em consideração todos os fatos e condições que podem ser observados ou determinados. Segundo, com base na análise e na expectativa do comportamento do fogo, uma linha de ação deve ser formada para controlar o fogo. Terceiro, devem ser emitidas instruções àqueles que irão fazer o trabalho de controle. Em seguida, é necessário estar seguro de que a ação que está sendo efetuada é correta. A avaliação consiste na análise criteriosa dos seguintes pontos (GAYLOR):

a)Comportamento do fogo;

b)Segurança das pessoas;

c)Ameaça às propriedades;

d)Recursos disponíveis;

e)Cálculo das probabilidades;

f)Plano e execução do controle.

a)Comportamento do fogo: deve-se avaliar a direção e velocidade de propagação do fogo, tamanho da área queimada e as variações esperadas. Deve-se ter informações sobre os tipos de combustíveis existentes junto à área que está queimando. Deve-se verificar a topografia do local. Analisar também as barreiras naturais que podem ser usadas. É importante estimar o provável perímetro do fogo quando estiver sob controle.

b)Segurança das pessoas: deve ser analisado o risco de vidaque correm as pessoas que habitam áreas próximas ao local do incêndio. Deve-se verificar a necessidade de evacuar residências e outras edificações. Deve ser checada toda a redondeza para verificar se existe risco de vida. Além disso, deve-se avaliarqual o perigo dos combatentes.

c)Exposição das propriedades: verificar quais as propriedades estão ameaçadas pelo fogo e qual o valor destas.

d)Recursos disponíveis: é um importante parâmetro a ser analisado. As principais informações que devem ser obtidas são: número de combatentes disponíveis; tipo e quantidade de equipamento deque se pode dispor; verificar a existência de barreiras naturais e fontes de abastecimento d’água; disponibilidade de mapas ou fotos aéreas onde possam ser plotados o fogo e a estratégia de controle; avaliar as implicações ambientais.

e)Cálculo das probabilidades: existem vários meios que podem ser empregados para controlar os incêndios florestais. Para calcular qual será mais efetivo numa situação específica, deve-se determinar a velocidade de propagação do fogo, o tipo de material combustível, deve-se estimar a extensão do fogo e determinar os recursos necessários para estabelecer a linha de controle. Além disso, deve-se considerar num plano de controle, o clima, a hora do dia e a estação do ano. Com estas informações básicas pode-se calcular qual ou quais os meios mais adequados para se controlar o fogo numa determinada situação.

f)Plano e execução de controle: quando forem considerados todos os fatores envolvidos na avaliação da situação, incluindo o cálculo das probabilidades de controle, deve-se elaborar um plano e executa-lo imediatamente. Existindo uma fotografia aérea ou um mapa da área envolvida, deve-se traçar o perímetro do fogo o mais precisamente possível. Em seguida deve-se dividir o perímetro em segmentos lógicos de acordo com a extensão do fogo, distribuindo-os, incluindo as barreiras naturais, para as equipes de combate, carros, tanque, tratores, etc. Definidos os locais de atuação, deve-se dar instruções claras ao chefe de cada equipe ou unidade e combinar a comunicação das ações com os mesmos.

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Pessoal

As equipes de combate aos incêndios florestais devem ter entre 6 e 10 operários, sob a liderança de um chefe de equipe. Os componentes das equipes devem ser pessoas que trabalham normalmente na organização florestal, desempenhando outras funções mas que serão requisitados sempre que ocorrer um incêndio.

Quando o sistema de prevenção e combate funciona satisfatoriamente, muitos dos incêndios florestais podem ser combatidos com apenas uma equipe. Neste caso, muitas vezes o próprio chefe da equipe pode comandar a operação de combate ao fogo. Em grandes incêndios, quando duas ou mais equipes, além de equipamentos pesados, são necessárias, é imprescindível a presença do técnico responsável pelo setor de prevenção e combate para comandar a operação.

 

Ferramentas e equipamentos de combate

Para que haja combustão, é necessário que o combustível, o oxigênio e uma temperatura acima do ponto de ignição se combinem e sejam mantidos. O trabalho de combate ao fogo consiste em quebrar esta combinação, que é feito com o auxílio de equipamentos e ferramentas adequados.

Utilizando-se estes instrumentos remove-seo combustível, para separá-lo da fonte de calor e desta forma o processo de queima fica limitado ou localizado; limita-se o oxigênio disponível ou reduz-se a temperatura da queima dos combustíveis abaixo da temperatura de ignição. As ferramentas podem ser classificadas conforme sua utilização nestas funções. As mais eficientes são as que desempenham mais de uma função. As ferramentas de escavar, cortar e raspar são empregadas na construção de aceiros e tem o principal objetivo de remover os combustíveis expostos ao fogo. Abafadores de vários tipos tem a função de excluir o oxigênio temporariamente. Ferramentas utilizadas para a aplicação de terra ou areia sobre o fogo tem a função de dissipar o calor, diminuindo a temperatura do combustível que está queimando. Equipamentos usado para jogar água tem a dupla função de excluir o oxigênio e reduzir a temperatura do material que está queimando. Equipamentos utilizados para efetuar contra-fogo tem a função de eliminar os combustíveis da trajetória do incêndio principal.

As atividades desenvolvidas com o auxílio de ferramentas e equipamentos manuais podem também ser realizadas com equipamentos mecânicos. A diferença básica está no método de execução e na substituição da força humana pela força do motor. Antigamente as ferramentas manuais eram o único equipamento disponível para combater incêndios. Atualmente existe uma grande variedade de equipamentos, inclusive alguns muito sofisticados. Entretanto, as ferramentas manuais continuam sendo necessárias no combate a qualquer tipo de incêndio e são os equipamentos mais usados no controle de incêndios em todo o mundo.

As ferramentas manuais mais utilizadas são: machados, enxadas, foices, pás, ciscadores, serras, bombas-costais, baldes e regadores, lanternas, pinga-fogo .

Os equipamentos mecanizados mais empregados em incêndios de grande intensidade são: tratores com lâmina, caminhões bombeiro, motoniveladoras e moto-bombas. 

 

Uso de aviões no combate

Atualmente, vem se utilizando com freqüência aviões e helicópteros no combate a incêndios de grande intensidade, principalmente em áreas de difícil acesso. Normalmente as funções tanto de aviões quanto de helicópteros são transportar pessoal e equipamentos às regiões de difícil acesso e lançar água ou retardantes químicos sobre o fogo.

A água é o agente mais usado na extinção dos incêndios devido a sua alta capacidade de absorver calor. No entanto, de acordo com SOARES, o bombeamento de água em grandes incêndios é bastante caro, tanto por usar aviões com pela quantidade de água necessária. O calor de combustão do material combustível florestal é cerca de 4.000 Kcal/kg, enquanto o calor latente de evaporação da água é de 500 Kcal/kg. Conforme resultados experimentais, 1 volume de água pode extinguir até 100 volumes de combustível queimando. Entretanto, quanto maior o incêndio menor a eficiência da água.Uma maneira de aumentar a eficiência da águana extinção do fogo é a adição de retardantes químicos, que são substâncias que reduzem a inflamabilidade da vegetação. Os retardantes químicos melhoram as propriedades extintoras da água por torna-la mais viscosa e aderente á vegetação, por reduzira evaporação da água aplicada sobre a vegetação e por efeitos inibidores diretos sobre a combustão. Mesmo após a evaporação da água, o material combustível tratado com retardantes químicos continua com sua capacidade de inflamabilidade reduzida, só sendo eliminado este efeito após a lavagem pela chuva. Os retardantes químicos mais utilizados são: fosfato diamônico, fosfato monoamônico, sulfato de amônia e borato de cálcio e sódio.

 

Táticas de combate

As táticas são os métodos usados para confinar e deste modo controlar os incêndios florestais. O conceito básico é estabelecer uma linha de controle ao redor da área do incêndio, confinar o fogo dentro desta área e retirar o combustível ainda não consumido, prevenindo a ocorrência de incêndios de manchas fora da linha de controle e extinguindo aqueles que ocorrem. O controle dos incêndios florestais é feito principalmente visando o lado do triângulo do fogo representado pelo combustível.

Os métodos empregados no combate podem ser classificados em 3 categorias: direto, intermediário e indireto.

a)Método direto: o combate é feito diretamente sobre as chamas, jogando terra e água sobre o material aceso. Utiliza-se normalmente ferramentas e equipamentos manuais nestas atividades. O ataque direto é geralmente usado na frente dos incêndios pequenos e nos flancos e base dos incêndios maiores, onde a intensidade é tal que a margem do incêndio pode ser trabalhada diretamente. Se o incêndio é pequeno e se a frente pode ser atacada com segurança, a ação de combate deve ser aplicada primeiramente na frente, seguindo depois para os flancos e a base. Quando a frente do fogo se propaga muito rapidamente ou a intensidade dificulta o trabalho, deve-se iniciar o trabalho pelos flancos até chegar à frente.

b)Método paralelo: intermediário entre o direto e indireto, é usado quando o calor produzido pelo fogo permite certa aproximação, mas não o suficiente para o ataque direto. O método consiste em fazer rapidamente um pequeno aceiro de 0,5 a 1,0 metro de largura, paralelo à linhade fogo, para reduzir a intensidade e facilitar o ataque direto, através do método anterior. Havendo necessidade de se ampliar o aceiro, pode-se fazer pequenos contra-fogos a partir da linha da faixa limpa. Este método pode ser utilizado no combate a incêndios superficiais e de solo.

c)Método indireto: quando a intensidade é muito grande e não há possibilidade de aproximação do fogo, usa-se o método indireto. Este método consiste em se abrir aceiros de grandes dimensões, com equipamento pesado, utilizando ainda um contra-fogo para ampliar a faixa limpa e deter o fogo antes que chegue ao aceiro. É o método usado para combater grandes incêndios de alta intensidade que se propagam rapidamente.

De modo geral, ao se combater um incêndio, a não ser em casos especiais de incêndios superficiais recém começados, não se usa apenas um dos métodos separadamente,mas uma combinação de dois a todos os citados. Em todos os combates a incêndio, o ataque direto para eliminação dos últimos vestígios do fogo, é imprescindível.

Depois de dominado o fogo, principalmente em incêndios de grande porte, muita coisa ainda deve ser feita para evitar que ele possa ser reativado e se propague novamente. De acordo com SOARES, as precauções que devem ser tomadas após o combate a um incêndio florestal são: 

I)Descobrir e suprimir possíveis incêndios de manchas causados por fagulhas lançadas do incêndio principal;

II)Ampliar o aceiro ou a faixa limpa em torno da área queimada para melhorar o isolamento da mesma;

III)Derrubar as árvores ou arbustos, dentro e fora da área queimada, que estejam queimando;

IV)Eliminar, através de aplicação de água ou terra, todos os resíduos do fogo dentro da área queimada;

V)Manter patrulhamento, com número suficiente de pessoas, até que não haja perigo de reativação do fogo. Voltar no dia seguinte para nova verificação.

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Agentes de Extinção do Fogo

Os incêndios extinguem-se utilizando um ou mais dos seguintes processos:

  • dispersão ou separação dos materiais que estão a arder ou combustível

  • abafamento ou redução do oxigênio que é necessário para a combustão

  • arrefecimento ou diminuição da temperatura para valores inferiores aos de combustão

  • inibição ou ação que impede a formação da chama.

Os principais agentes extintores do fogo são:

  • Água, que é o mais eficaz sobretudo em fogos que resultam da combustão de materiais sólidos geralmente de natureza orgânica, como a madeira, o carvão, o papel, matérias têxteis.A água arrefece e abafa devido à formação do vapor de água que reduz o oxigênio.Pode ser aplicada sob a forma de jacto, chuveiro ou nevoeiro e vapor. A capacidade de extinção da água aumenta se lhe forem adicionados molhantes (aumentam o tempo de contacto da água com os combustíveis), emulsões (aumentam o poder de arrefecimento e abafamento), viscosantes (facilitam que a água circule entre o material em combustão), opacificantes (aumentam a capacidade de arrefecimento por dificultarem que seja atravessada por infravermelhos)

  • Espumas atuam por arrefecimento devido à água que contêm ao ao grande poder de abafamento, pois impedem a libertação dos gases da combustão e a combinação com o oxigênio

  • Anidrido carbônico,(CO2), armazenado em estado líquido à pressão (20 atmosferas) e que ao ser descomprimir solidifica, formando neve carbônica, que absorve grande quantidade de calor e produz o arrefecimento. Ao mesmo tempo produz o abafamento por reduzir a percentagem de oxigênio existente no ar.

  • Halons, produtos químicos complexos obtidos dos hidrocarbonetos como o metano (CH4) e em que o átomos de hidrogênio são substituídos por átomos de alógenos (flúor, cloro, bromo, e iodo). O poder de extinção do fogo manifesta-se através da inibição da formação das reações que provocam a combustão e as chamas. Dados os elevados custos da sua utilização, este agente extintor só é utilizado em casos de proteção a equipamentos de elevado valor.

A água é o principal meio utilizado para apagar incêndios florestais. Os restantes produtos são utilizados para focos de incêndio de menor dimensão nos diferentes tipos de instalações e equipamentos, podendo ser decisivos quando o foco é reduzido, evitando a sua propagação. Estes produtos encontram-se armazenados em extintores a que se fará referência nas próximas páginas.

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Queima Controlada


 

Introdução

Queima controlada é definida como a aplicação controlada do fogo em combustíveis tanto no estado natural como alterado, sob determinadas condições de clima, umidade do combustível, umidade do solo, etc..., de tal forma que o fogo seja confinado a uma área pré-determinada e ao mesmo tempo produza a intensidade de calor e taxa de propagação necessária para favorecer certos objetivos do manejo. A queima controlada é relativamente barata, e em certas circunstâncias é o único meio de atingir um determinado objetivo.

Os objetivos de se realizar queima controlada são muitos. Em vários países são feitas queimas controladas para atender diversos fins, como redução de riscos de incêndio e favorecimento de regeneração natural.

 

Redução do material combustível

Ao se usar queima controlada para reduzir a acumulação de combustível, não é necessário cobrir 100% da área. O objetivo principal é quebrar a continuidade da combustível. Redução do material em 75 a 80% da área pode alcançar o objetivo em muitos casos.

O fogo é um instrumento muito utilizado no preparo de terreno para plantio, tanto de espécies agrícolas como florestais. Resíduos de exploração e restos de culturas anteriores são barreiras físicas para o plantio manual ou mecânico. A queima custa cerca de um décimo do total de outros tratamentos no preparo do terreno para o plantio. Além disso, é uma das poucas alternativas aceitáveis em terrenos acidentados com problemas de erosão.

Na regeneração natural, a queima controlada é um ótimo meio de preparara área para receber as sementes e favorecer a germinação, como ocorre por exemplo com a bracatinga (Mimosa scabrella), importante espécie florestal no sul do Brasil.

 

Controle de espécies indesejáveis

A queima controlada pode ser usada para controlar espécies indesejáveis, desde que essas sejam mais sensíveis ao fogo do que aquelas que se quer proteger. Por exemplo, a queima controlada é usada para reduzir a invasão de espécies folhosas de baixo valor comercial em povoamentos de Pinus no sul dos EUA. 

O fogo pode ser utilizado para destruir ramos, folhas e troncos infestados por insetos. O coleóptero Oncideres impluviataque ataca Acácia negra no Rio Grande do Sul, tem sido combatido através de queima.

A queima controlada pode também ajudar a reduzir a infestação de fungos causadores de podridão de raízes em diversas espécies florestais do sul do Brasil. Fungos como Armillaria mellea e Roselinia sp. poderiam ser combatidos desta maneira.

 

Técnicas de queima

Existem várias técnicas de queima que podem ser utilizadas para se atender os objetivos da queima sob diferentes condições de clima, topografia e de combustível. Os objetivos da queima e os fatores climáticos devem estar estreitamente correlacionados com a técnica adequada de queima, a fim de se prevenir efeitos danosos aos recursos florestais.

Tomando-se como base o comportamento do fogo e a velocidade de propagação, o fogo pode se mover na mesma direção do vento (queima a favor do vento), na direção oposta ao vento (queima contra o vento), ou formando um ângulo reto contra o vento (queima de flancos). Qualquer tipo de queima pode ser descrita nestes termos. A queima a favor do vento é a queima mais intensa, por apresentar as mais rápidas taxas de propagação, as mais amplas zonas de queima, e os maiores comprimentos de chama. A queima contra o vento é a menos intensa, apresentando as menores taxas depropagação, uma estreita zona de queima e baixo comprimento de chamas. A queima de flancos apresenta intensidade intermediária entre a queima a favor e a queima contra o vento. As técnicas de queima amais utilizadas são descritas a seguir.

 

Queima contra o vento

Consiste basicamente de fazer o fogo progredir na direção contrária ao vento. O fogo é iniciado ao longo de uma linha de base preparada, que pode ser uma estrada, um aceiro, um córrego ou outra forma de barreira e deixa-se que progrida contra o vento. Esta técnica é o mais fácil e seguro tipo de queima controlada, desde que haja predominância de vento constante tanto em direção como em velocidade. A queima contra o vento produz mínimaaltura de crestamento e pode ser usada em grandes concentrações de combustíveis. Algumas desvantagens são o tempo gasto na operação, devido as baixas taxas de propagação, entre 0,0055 e 0,0166m/s, a necessidade de se construir um aceiro no interior da área em intervalos freqüentes, geralmente de200 a 400 metros, para assegurar a queima das faixas. É necessário também que haja vento com velocidade entre 6,5 e 16 km/h ao nível do solo para que a fumaça seja bem dissipada e o calor não suba diretamente para as copas das árvores. Deve-se lembrar sempre que nas encostas a propagação do fogo é similar à propagação na direção do vento, e portanto não se recomenda a queima contra o vento em áreas inclinadas. Esta é a técnica recomendada para a primeira redução de material combustível sob povoamentos florestais.

 

Queima em faixas a favor do vento

Consiste em se colocar uma linha de fogo ou uma série de linhas de fogo de tal forma que nenhuma linha individual de fogo possa desenvolver alta intensidade antes de encontrar outra linha de fogo ou aceiro. A distância entre as linhas de fogo depende das condições locais, mas geralmente varia de 20 a 60 metros. Freqüentemente usa-se uma combinação da queima a favor e da queima contra o vento para tratar uma área. A linha base de controle pode ser tratada com uma queima contra o vento, e em seguida a área restante é tratada com uma queima a favor do vento. Compensações devido a mudanças de direção do vento podem ser feitas alterando-se o ângulo da faixa de fogo com a linha básica. Também pode-se fazer ajustes para a quantidade e arranjo do material combustível, alterando-se a distância entre as linhas de fogo. Este método é relativamente rápido, flexível e geralmente de custo moderado. Pode ser usado para reduções periódicas de combustível no interior de plantações, desde que a primeira redução tenha sido feita através da técnica contra o vento. As principais desvantagens da queima em faixas a favor do vento são a necessidade de acesso ao interior da área e o aumento da intensidade no encontro das linhas de fogo, tornando maior a possibilidade de crestamento das copas.

 

Queima de flancos

A técnica de queima de flancos consiste em acender linhas de fogo paralelas à direção do vento, de modo que o fogo se propague formando um ângulo reto com o mesmo. Esta técnica requer conhecimento considerável do comportamento do fogo. Utiliza-se esta técnica para segurar o fogo lateralmente quando se usa outras técnicas, como contra e a favor do vento. Algumas vezes se usa também para auxiliar a queima contra o vento em áreas de combustíveis finos em condições climáticas úmidas. Este método de queima não pode ser utilizado quando há alterações na direção do vento. Há necessidade de coordenação da equipe e controle de tempo. É muito útil em pequenas áreas ou para facilitar a queima de grandes áreas e períodos de tempo relativamente curtos.

 

Queima em manchas

Este método emprega uma série de pequenos pontos ou círculos de fogo que queimam em todas as direções mas vão se encontrando antes que se tornem muito grandes e se propaguem violentamente. A coordenação perfeita do tempo e do espaço que se acende os pontos de fogo é a peça fundamental para o sucesso na aplicação deste método.

Quando usado em áreas de resíduos de exploração, deve-se estar atento para que os pontos de fogo não fiquem distanciados entre si mais de 40 a 60 metros, para evitar que se crie zonas de encontro com aumento de intensidade, nem tão longe que possa permitir que pontos individuais se tornem queimas indesejáveis a favor do vento. Uma equipe treinada pode queimar extensas áreas em curto espaço de tempo, utilizando-se esta técnica.
 

Queima central

Neste método, vários pontos de fogo, em forma mais ou menos circular, são acesos no centro da área. A propagação destes pontos de fogo vai se acelerar à medida que a liberação de calor aumenta, formando uma ativa coluna de convecção. Em áreas maiores de 4,0 ha, uma segunda série de pontos de fogo (formando um anel em volta da primeira) é iniciada, entre 15 e 30 metros do limite externo da área. Devido a forte coluna de convecção criada na região central, o fogo não se propaga com muita intensidade na direção dos limites externos da área. Este técnica geralmente pode ser usada em qualquer época do ano. No entanto, deve-se tomar cuidado, particularmente quando as condiçõesdo clima são instáveis. Este tipo de queima desenvolve fortes e violentas colunas de convecção, podendo lançar fagulhas a distâncias superiores a 1.000 metros em determinadas situações.

Esta técnica tem sido muito útil em diversas atividades florestais, principalmente na eliminação de resíduos de exploração, para o preparo do terreno para o plantio ou para melhorar o habitat da fauna silvestre em pequenas aberturas ou clareiras na floresta.

 

Queima Chevron ( em “V”)

Esta técnica foi desenvolvida para queima em áreas montanhosas. Consiste em acender linhas de fogo simultaneamente, partindo de um único ponto no ápice da montanha e fazendo progredir para a parte baixa. Basicamente, este método envolve o conceito da queima de flancos, exceto que as linhas de fogo não são paralelas.

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Referências Bibliográficas 

BATISTA, A .C. Incêndios Florestais. Recife, UFRP, 1990. 115 p. ilustr. 

SOARES, R. V. Incêndios Florestais - Controle e uso do fogo. Curitiba, FUPEF, 1985. 213 p. ilustr.

Fogos Florestais, Como Reduzir os Incêndios em Portugal, Carlos Manuel Guimarães, Floresta e Ambiente, nº39, Outubro/Dezembro de 1997

Os Incêndios Florestais, como prevení-los, Luís Pinheiro, Floresta e Ambiente, Jan./Março de 1994

2ª Conferência Internacional da Floresta Privada, Revista do agricultor,nº112, maio de 1998

 

 

 

 

Fotos                                            
 
 
Equipamento   Equipamento
 
Pinga-fogo   Equipamento
 
Combate direto   Combate
 
Combate   Caminhão tanque
 
Combate aéreo   Combate aéreo
   
Abafador    
 
Torre de incêndio   Torre de incêndio
 
Incêndio Parque Yellowstone   Incêndio Parque Yellowstone
 
Incêndio Parque Yellowstone   Incêndio Parque Yellowstone
 
Incêndio Parque Yellowstone   Incêndio Parque Yellowstone
 
Incêndio Parque Yellowstone   Incêndio Parque Yellowstone
 
Incêndio Parque Yellowstone   Incêndio Parque Yellowstone
     
     

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Este site é SOMENTE de CUNHO DIDÁTICO para a divulgação da área de Proteção Florestal. Desenvolvido pelo Engenheiro Florestal André Luiz Buss, do curso de Engenharia Florestal da FURB e orientado pelo Prof. Dr. Marcelo Diniz Vitorino, responsável pelas disciplinas de Entomologia, Patologia, Incêndios e Defesa Florestal e Controle Biológico do curso de Engenharia Florestal da FURB e um dos principais difusores do Controle Biológico de plantas indesejáveis no Brasil.