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26/06 - Painel econômico: FURB une empresários, governos e senadores


O trabalho integrado entre os agentes públicos, empresariais e a Universidade foi evidenciado no painel virtual promovido pela Universidade Regional de Blumenau (FURB) na noite de quinta-feira, 25 de junho, reunindo os três senadores catarinenses, líderes empresariais e a reitora Marcia Sardá Espindola. Em pauta os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia.
 
 
“Penso que a live foi uma excelente oportunidade para debatermos temas relevantes para nossa economia no momento atual. O alto nível dos convidados permitiu uma discussão muito proveitosa. Além disso, a Furb conseguiu valorizar a posição da nossa universidade diante das autoridades em âmbito estadual e nacional”, comentou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Blumenau (ACIB), Avelino Lombardi.
 
Representando 34 mil empresas associadas, em 148 associações empresarias de Santa Catarina, o presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Jonny Zulauf ressaltou a importância da tríplice hélice formada por universidades, setor produtivo e poder público para o enfrentamento dos desafios econômicos e sociais. 
Os participantes foram questionados pelo presidente da ACIB sobre o pacto federativo.
 
O senador Esperidião Amin lembrou que “estados e municípios não podem aumentar sua dívida, não podem emitir, nem aumentar receitas, então cabe à União cumprir esse papel”. Defendeu que “precisamos de um pacto federativo que redistribua riqueza e não pobreza”.
Uma reforma tributária, na visão do senador, deve levar em consideração, principalmente, o fato do Brasil ainda exportar matéria prima. “O Brasil não pode viver de commodities, mas precisa de um projeto de reindustrialização. Em Santa Catarina nós importamos milho para complementar demanda; o Brasil tem potencial para receber investimentos externos ao setor agroindustrial, precisamos aproveitar o dinheiro empoçado”, sugeriu Amin. 
 
O senador Jorginho Mello mencionou o pacto federativo como assunto antigo, mas entende que é necessário rever, pois “tudo acontece nos municípios”. Destacou a distribuição dos recursos emergenciais na proporção de 60% para estados e 40% para municípios como essencial para a manutenção das atividades econômicas e lembrou que as comissões para as reformas administrativa e tributária estão montadas.
 
 “Precisamos diminuir o tamanho do Estado, executivo, legislativo e judiciário, cortar na própria carne, para que a reforma tributária não passe de uma simplificação”, pregou. “Se não tiver receita vai dividir miséria?” questionou Mello. Ele foi questionado pelo coordenador de Planejamento da FURB, professor de Economia Nazareno Loffi Schmoeller, quanto a lei de sua autoria, de 2019, sobre recebíveis, que propiciou às universidades comunitárias negociar parte de suas carteiras como forma de obter recursos, incluindo a possibilidade de vender vagas ao governo federal. O sistema comunitário de ensino superior de Santa Catarina é bastante peculiar no panorama brasileiro, por sua grande abrangência.
 
O senador Dário Berger também entrou no tema, afirmando que “com uma carga tributária alta o produto perde competitividade, em contrapartida, a federação oferece serviços de péssima qualidade. O resultado disso é revolta e indignação da população”.  Ele enfatiza que o problema não é o tamanho da carga tributária, mas o resultado que ela possa proporcionar à sociedade catarinense. “Mais arriscado do que mudar é seguir fazendo o mesmo” acredita o senador.
 
“Sou um municipalista convicto, é importante encontrar um ponto de equilíbrio para mudar esta triste realidade. Vivemos o excesso de burocracia, investimentos não aparecem, o empresário não confia, sem investimento não há produtividade, sem produtividade não há consumo, sem consumo não há arrecadação”, discursou o senador Berger, para quem o estado continua fazendo mais do mesmo.  Segundo ele, o fundamental é simplificar a vida de quem produz, aliviando a burocracia, embora a expectativa do senador seja por alterações mais pontuais nas regras, do que uma reforma mais complexa, “para que ninguém perca recursos”.
 
Reitora destaca papel das universidades comunitárias
 
Ao final de duas horas e meia de debate, a reitora da FURB Marcia Sardá Espindola assinalou o quanto a ciência produzida na Universidade é importante para o desenvolvimento social, econômico e que “ temos visto, neste momento também, o quanto os dados científicos são requisitados para orientar os gestores e orientar nas suas decisões”.
 
Marcia Sardá Espindola relembrou que as universidades comunitárias ligada ao sistema ACAFE não possuem fins lucrativos, “os nossos recursos ficam na região, não vão para bolsas de valores nem para grupos econômicos, a nossa missão é desenvolver a região e desenvolver o jovem, a nossa população local. Os nossos jovens querem estar nas nossas Universidades. Nos falta financiamentos, porque não estamos tão agressivos no mercado como deveríamos ser.”
 
Destacando a condição financeira das comunitárias, observou a importância dos setores empresariais e governamentais para iniciativas que possibilitem aos jovens buscarem o ensino superior, a exemplo do artigo 170 do Governo do Estado de Santa Catarina.
 
Governo Federal
 
Do ponto de vista fiscal, o novo Coronavírus trouxe para a sociedade um grande desafio. A solução passa pela união do setor produtivo, universidades, governos e a condução de uma gestão macro econômica que possibilite buscar o equilíbrio fiscal a partir de 2021. A perspectiva é do secretário da Fazenda no Ministério da Economia, Waldery Rodrigues Júnior.
 
Em nome do ministro Paulo Guedes, o secretário mencionou 420 bilhões investidos pelo Governo Federal como recurso adicional para a preservação de empregos e proteção aos segmentos mais vulneráveis da economia, desde o início da pandemia. “Acima da média dos países avançados e quase o dobro em relação aos emergentes” contabilizou.
 
“Na Comissão Mista do Orçamento, na presença dos senadores, tivemos a oportunidade de explicar todos os programas, sua efetividade e o que acontecerá pós-pandemia. A crise sanitária é gravíssima, é a maior crise que o mundo viveu nos últimos 100 anos e estamos buscando esse enfrentamento da maneira mais efetiva e transparente possível, considerando o curto prazo, mas também as implicações no médio e longo prazo”, comentou o secretário.
 
Wanderly observa que o governo já havia conseguido mudar a trajetória dos resultados fiscais para “um patamar melhor”, mas que, diante da crise, a perspectiva é um resultado primário de -10% no crescimento do PIB este ano. “Precisamos que as contas fiscais voltem ao equilíbrio. Isso exige conversa com o Congresso Nacional, que demonstra entender a importância das ações propostas e deve aprovar as medidas sugeridas” antecipa o secretário.
 
Ele indicou aos estudantes da Universidade os portais de transparência do Governo, para acompanhar a aplicação dos recursos nos programas federais. “São mais de 20 medidas, por meio das quais já transferimos um auxílio de 2,5 bilhões para Santa Catarina e temos previstos outros três repasses nesse valor ao Estado, em uma situação em que a União também está deficitária”. Waldery destacou ainda a presença do secretário da Fazenda de Santa Catarina, Paulo Eli, no Conselho Nacional de Política Fazendária: “é uma referência”.
 
Santa Catarina
 
O secretário da Fazenda de Santa Catarina, Paulo Eli, trouxe dados atualizados sobre a pandemia nos três estados do Sul. Até quinta-feira, Santa Catarina registrou 289 óbitos, 21 mil 951 casos de Covid-19, em uma população de 7 milhões 160 mil habitantes; Rio Grande do Sul coom 500 óbitos, 23 mil casos, com 11 milhões e 300 mil habitantes, enquanto no Paraná, o mais populoso,  526 óbitos, 17 mil 618 casos e 11 milhões e 400 mil habitantes. O secretário enfatiza como certos nessa relação apenas os dados em relação aos óbitos e população, pois o número de casos varia de acordo com a testagem feita na população.
 
Com o fechamento da atividade econômica em 17 de março, o secretário contabiliza o reflexo imediato no faturamento das empresas, em - 25% e na arrecadação do Estado, em -19%. “Somente em março, o prejuízo do Estado chegou a 200 milhões de reais”, observou.   Em maio a arrecadação caiu quase 25%, com liberação de atividades gradativas, em junho recuperamos a estamos a -8% em relação a junho de 2019.
 
“Graças à ajuda federal vamos conseguir pagar a folha dos servidores no dia 30, não fosse esta ajuda, não seria possível”, disse Eli e agradeceu aos senadores pela aprovação da ajuda federal aos estados.
 
O Centro de Inovação de Blumenau, instalado no campus 2 da FURB, também esteve na pauta da live entre governos, empresários, senadores e Universidade. O senador Esperidião Amin assinalou a diferença de expertise de cada região que inaugura seu centro, 14 em Santa Catarina. São projetos dentro da vocação de cada área, recomendou, sempre com associação de “sistemas produtivos, conjunção de esforços. Conseguiremos ajuda federal (...) Projetos que chamem inovação têm chance de se destacar no plano plurianual de evolução.”
 
O painel foi transmitido pelo Youtube da FURB TV, canal em que mais de 800 pessoas acompanharam o debate que está disponível no link abaixo. Também foi disponibilizado no facebook do Jornal de Santa Catarina. O evento teve apoio do Grupo NSC, cujo comentarista econômico Pedro Machado mediou a conversa. A live foi transmitida ao vivo pela FURB FM. O jornalista da Central Multimídia de Conteúdo, Giorgio Guedin, comentou a importância da integração dos meios: “o tema é muito pertinente e conseguimos atingir outros públicos". O evento teve apoio da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE).
Publicação: 26/06/2020 - 18h10 - Central Multimídia de Conteúdo/Jornalismo | Foto(s): Mike Martins

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