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AGENDA 


10/10 a 06/11 - Exposição "Entre o que sei e o que existe" de Eugenia França

Segundo Bruno Paiva, Mestre e Doutorando em Filosofia da UFMG, a exposição "Entre o que sei e o que existe" de Eugenia França, é uma iniciação ao estranhamento como refúgio da Diferença.  Lembra que nosso tempo é marcado, segundo o filósofo alemão Theodor W. Adorno (1903-1969), pelo contexto geral de ofuscamento (Verblendungszusammenhang), isto é, a nossa percepção e modo de entender a realidade é turvada pela estrutura de
dominação ideológica da sociedade capitalista.

 

A obra da artista plástica Eugênia França surge, nesse contexto, como um lampejo de esperança, ao proporcionar uma alternativa a esse cenário obscuro, a partir de uma iniciação à experiência de estranhamento do real como condição necessária para o acolhimento da Diferença.

 

Um aspecto presente em sua obra, e que reflete a originalidade e coragem da artista no mundo da arte, é o convite feito ao espectador para experimentar com autenticidade e responsabilidade o estranhamento diante do mundo. A sua pintura resgata uma categoria esquecida na História da Arte, a categoria de feio, como um elemento fundamental para experimentar o estranhamento e para a experiência estética da obra de arte. Construída sob o signo da pluralidade revela o aprofundamento da sua reflexão e prática estética: a arte é o refúgio da Diferença. Ao retratar em suas telas meninas da periferia, segurando bonecas velhas e sujas, a artista mostra com imensa sensibilidade e força que a lógica perversa do consumismo exclui não apenas produtos e objetos sem utilidade imediata, mas exclui também seres humanos.

 

Essa alteridade excluída e esquecida na História é resgatada pela arte do estranhamento proposta pela artista, que acolhe e dá vozes a essas pessoas. Isso faz da sua arte o lugar privilegiado do não-idêntico, da alteridade, pois ao tratar outrem com respeito e dignidade, desperta em cada um de nós um sentimento de engajamento e de responsabilidade pela vida do outro. Portanto, precisamos apenas escolher em aceitar o convite feito pela artista de experimentar o estranhamento e acolher outrem ou continuar contemplando esse véu que oculta a realidade na qual estamos emersos.


Data: 10/10 a 06/11
Horário: Seg a Sexta das 7h30 às 22h e Sab 8h às 17h
Local: Câmpus 1 - Salão Angelim - Mapa
Informações: Divisão de Cultura - (47) 3321-0937 - cultura@furb.br
Publicação: Cultura

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