FURB recebe seminário acadêmico sobre museu, memória e patrimônio indígena catarinense
Por Lucas Adriano [30/04/2026] [15 h54]
O campus 1 da FURB sediou na noite da última segunda-feira (27), no auditório da Biblioteca, um seminário sobre a valorização dos direitos dos povos originários e preservação da memória indígena em Santa Catarina. Em auditório lotado por acadêmicos de diversos cursos da Universidade, o destaque foi a presença de diversos membros da Terra Indígena Ibirama Laklãnõ-Xokleng, que vieram do Alto Vale do Itajaí especificamente para este encontro. O líder indígena Cabechuim Ló Camlem integrou a mesa redonda, tendo momento de fala neste debate, defendendo a necessidade da preservação da memória e do patrimônio cultural dos povos originários Laklãnõ-Xokleng.
“Fico muito feliz de poder apresentar mais uma vez essa fantasia que é a nossa cultura, a nossa crença e muito mais. É de grande valia para nós apresentar e reapresentar a nossa cultura, pois ela não pode ser esquecida”, destaca Cabechuim Ló Camlem.
Além da liderança indígena, tiveram momento de fala neste seminário a historiadora Sueli Petry, diretora de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura e Relações Institucionais de Blumenau, e a museóloga Lucia Seara Valente, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, com ampla produção científica sobre criação e valorização dos museus. O debate foi mediado pelo professor Alisson Sonaglio, docente substituto do curso de História da FURB.
“É sempre muito importante esses espaços de discussão que a Universidade proporciona, principalmente quando abre espaço à comunidade, a pessoas envolvidas no assunto, como é a autoridade indígena, professora Sueli Petry, que também é uma autoridade no assunto da museologia. Então, a FURB se considera muito satisfeita no fato de estarem debatendo esse assunto junto ao curso da História aqui nas nossas dependências”, destaca o professor Marcus Vinicius Marques de Moraes, Vice-Reitor da FURB, que representou a Gestão Superior da Universidade no seminário.
A grande reivindicação trazida pelos povos originários foi a necessidade de criação de um museu sobre a história indígena em Blumenau, com uma possível contribuição do Arquivo Histórico do município. Ao longo do debate, foi relembrado o processo de colonização do Vale do Itajaí, destacando que toda a grande área geográfica atualmente ocupada pelos povos originários pertencia ao interior do município de Blumenau quando do seu reconhecimento como Terra Indígena pelas autoridades estaduais e federais, em documentos datados dos anos 1920. Com os processos de emancipação político-administrativa observados nas décadas seguintes, hoje a área reconhecida integra os municípios de Itaiópolis, Doutor Pedrinho, Vitor Meireles e José Boiteux, segundo os debatedores presentes.
O seminário foi realizado nesta oportunidade, ao final de abril, em alusão ao Dia Nacional dos Povos Indígenas, celebrado no último dia 19. O evento foi organizado pelo Diretório Central dos Estudantes da FURB (DCE), em parceria com a Comissão de Diversidade e Inclusão (Codin) e Divisão de Cultura da Universidade.

