Pesquisa FURB investiga como estudantes aprendem e aponta caminhos para fortalecer aprendizagem de línguas

Pesquisa FURB investiga como estudantes aprendem e aponta caminhos para fortalecer aprendizagem de línguas

Foto: FURB

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação da Universidade Regional de Blumenau (PPGE/FURB) investigou estratégias empregadas por estudantes de diferentes níveis de ensino para aprender uma nova língua. Os resultados revelam que os estudantes mobilizam diversas práticas, como leitura, revisão e explicação para si mesmos, mas tendem a preferir estratégias que exigem menor esforço cognitivo, o que pode impactar negativamente na consolidação do conhecimento. O estudo foi desenvolvido pela pesquisadora Olga Liscová Grigato, Mestre em Educação, sob orientação da professora Cynthia Bailer, Doutora em Estudos da Linguagem. O objetivo das pesquisadoras é contribuir para a adoção de práticas mais eficazes de aprendizagem baseadas em evidências científicas.

A motivação para estudar o tema surgiu da experiência pessoal da pesquisadora: nascida na República Tcheca, estudou vários idiomas desde a infância e, atualmente, atua como professora de Inglês na rede pública municipal de Blumenau. A experiência em sala de aula mostrou que muitos estudantes demonstram compreender o conteúdo, mas têm dificuldades de lembrá-lo posteriormente. Esse problema é associado à ausência de consolidação eficaz na memória de longo prazo, o que compromete o uso ativo da nova língua.

Para compreender as estratégias empregadas pelos estudantes, a pesquisadora aplicou questionários com estudantes de Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior e analisou os dados com base na abordagem da Ciência da Mente, Cérebro e Educação (MCE), que busca compreender como ocorre a aprendizagem a partir da articulação entre neurociência, psicologia cognitiva e educação. Os resultados obtidos pelo estudo mostram que os alunos conhecem algumas estratégias eficazes, mas tendem a preferir métodos que exigem menos esforço cognitivo, como releitura e revisão passiva.

 

“Prática de lembrar” está entre as estratégias mais eficazes; sono e pausas são essenciais

 

A pesquisadora explica que a consolidação da aprendizagem depende, em grande medida, de revisitar um determinado conteúdo mais de uma vez. Nesse sentido, a chamada “prática de lembrar” é uma das estratégias mais eficazes para a consolidação da memória a longo prazo. A prática consiste, basicamente, em esforçar-se para lembrar de um conteúdo anteriormente visto sem consulta imediata ao material. Trata-se de uma estratégia que exige esforço cognitivo, fortalece circuitos neurais e favorece a retenção a longo prazo. Por outro lado, estratégias amplamente utilizadas pelos estudantes, como leitura e releitura, são consideradas menos eficazes, pois demandam baixo esforço cognitivo.

A pesquisadora alerta, ainda, que a consolidação das informações na memória exige que o estudante tenha boa qualidade de sono e realize pausas entre sessões de estudo. “Nós precisamos muito de sono para consolidar uma informação. Porque é durante a fase REM que acontece a chamada sinaptogênese, em que nossas sinapses se fortalecem e se criam caminhos neurais mais fortes e sólidos”, explica. A fase do sono REM, sigla para Rapid Eyes Movement (movimento rápido dos olhos, em inglês) é uma das etapas do ciclo do sono, iniciada cerca de 70 a 90 minutos após adormecer, momento em que o cérebro se torna muito ativo e quando acontece a maior parte dos sonhos vívidos.

Outro achado do estudo foi a diferença de desenvolvimento metacognitivo entre os participantes de diferentes níveis de ensino: estudantes do Ensino Superior demonstraram maior consciência sobre seus processos de aprendizagem, enquanto alunos da Educação Básica demonstraram menor capacidade de refletir sobre seus próprios processos cognitivos. Na avaliação da pesquisadora, esse resultado demonstra a evolução dos estudantes ao longo da trajetória de formação. 

A pesquisadora destaca, ainda, o papel central do professor na orientação dos estudantes em relação às estratégias de aprendizagem a serem adotadas no estudo após a aula, essencial para consolidação da aprendizagem. “Eu vejo a necessidade dessa abordagem em sala de aula, explicar para o aluno como fazer. Muitas vezes, os professores preparam aulas maravilhosas, sequências didáticas muito boas, que funcionam muito bem, porém não explicam como o aluno deve prosseguir depois em casa”, alerta.

 

FURB Pesquisa

 

O trabalho foi tema do programa FURB Pesquisa desta semana com estreia nesta sexta-feira, às 15h30, na FURB FM e no canal Youtube da universidade.