Pesquisa FURB revela competências buscadas por empresas de tecnologia do Alto Vale do Itajaí

Pesquisa FURB revela competências buscadas por empresas de tecnologia do Alto Vale do Itajaí

Foto: RTE FURB

Resultados ressaltam a importância da associação entre habilidades técnicas e comportamentais

 

Uma pesquisa de Mestrado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade Regional de Blumenau (PPGDR/FURB) traçou um panorama das competências mais demandadas por empresas de tecnologia do Alto Vale do Itajaí. O estudo foi conduzido pelo pesquisador Sandro Alencar Fernandes, Mestre em Desenvolvimento Regional, sob orientação do professor Maiko Spiess, Doutor em Política Científica e Tecnológica, e revelou a importância da associação entre competências técnicas e comportamentais.

O estudo investigou a percepção dos gestores de 44 empresas de tecnologia situadas no Alto Vale do Itajaí por meio da aplicação de questionários que objetivavam mapear as principais demandas do mercado em relação às competências profissionais das equipes. Entre as principais habilidades técnicas procuradas pelas empresas estão a de desenvolvimento full stack, back-end e front-end, essenciais para mais de 50% das empresas, além de habilidades em análise de dados e inteligência artificial. Entre as competências comportamentais, as chamadas soft skills, a capacidade de resolver problemas, o trabalho em equipe e a comunicação foram as mais apontadas pelos gestores. “A gente percebe no dia a dia que, às vezes, um técnico é muito bom desenvolvedor front end ou mobile, mas não tem capacidade de olhar o todo e propor uma solução para o problema”, avalia o pesquisador, que também é gestor de uma empresa de tecnologia.

Os resultados do estudo apontam que a necessidade de desenvolver habilidades comportamentais deve ser considerada pelos futuros profissionais na hora de buscar a formação. Para o pesquisador, os profissionais de tecnologia que associam habilidades técnicas e comportamentais tendem a ser mais bem-sucedidos no mercado. “Esse profissional certamente tem mais portas abertas do que outros profissionais que são mais restritos e rapidamente pode virar um gestor, conduzir e coordenar outras equipes”, avalia.

Entre as áreas de formação mais buscadas pelas empresas estão Ciências, Matemática e Computação, apontadas por 82% dos respondentes. A área de Serviços, que pode incluir suporte técnico, atendimento ao cliente e gestão operacional, foi apontada como formação buscada por 54,5% das empresas participantes da pesquisa. A demanda significativa por profissionais formados em Ciências Sociais, Negócios e Direito (31,8%) sugere a importância de conhecimentos em gestão e empreendedorismo.

Além da aplicação de questionários junto aos gestores de empresas de tecnologia, o pesquisador realizou um levantamento das oportunidades de formação disponíveis na região do Alto Vale, considerando cursos superiores e técnicos a partir de dados secundários provenientes de fontes como o Censo da Educação Superior e o Censo Escolar. A grande oferta de cursos de curta duração ou na modalidade à distância, que tendem a priorizar a formação técnica, foi um dos aspectos identificados pelo pesquisador, que defende o diálogo constante entre mercado e instituições de ensino para o crescimento do setor.

A demanda crescente por profissionais é uma realidade do setor de tecnologia em Santa Catarina. Até 2027, devem ser criadas quase 100 mil vagas no setor em todo o Estado segundo estimativas da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE). “O estado de Santa Catarina é um destaque hoje no setor de tecnologia. A gente tem Blumenau como um dos mais antigos polos, muitas empresas nasceram aqui. Hoje, a gente vê Florianópolis se destacando como a Ilha do Silício. Mas nas regiões Oeste, Planalto e Alto Vale a gente também tem tido esse destaque”, avalia.

No Alto Vale, já são cerca de 560 empresas de tecnologia. Destas, cerca de 200 ficam em Rio do Sul, principal cidade da região. O mercado local é composto por uma combinação entre empresas já consolidadas, com mais de 10 anos de atuação, e empresas novas, o que sugere um ambiente propício à inovação. Na avaliação do pesquisador, uma combinação de fatores favorece o desenvolvimento do setor na região. “A indústria da tecnologia é limpa e de fácil distribuição. Hoje, a gente distribui software por ambientes digitais, sem a necessidade de pegar a rodovia e visitar in loco o cliente. Em toda a região, a gente tem empresas que atendem o cenário nacional e até internacional”, explica.

As empresas que participaram da pesquisa integram o Núcleo de Tecnologia da Informação do Alto Vale do Itajaí (Niavi), polo regional da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia. Para o pesquisador, o movimento associativo desempenha um papel fundamental para o crescimento do setor, tendo em vista que a reunião de empresas em associações representativas permite a busca de soluções coletivas para problemas comuns. “No setor de empresas de base tecnológica, ele é fundamental, porque ainda somos um setor novo comparado com outras indústrias, então é muito difícil caminhar sozinho”, destaca.

 

FURB Pesquisa

O trabalho foi tema do programa FURB Pesquisa desta semana: