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EVENTOS


10/09 a 26/09 - Exposição “Espectros do Cerrado”, por Alessandra Cunha - Ropre

“Agro é pop” “O pop não poupa ninguém”. Duas frases de origens diferentes e que se completam inteiramente. A campanha publicitária “Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo”, que busca criar uma imagem positiva e moderna do latifúndio, mascarando a real situação do campo e fazendo apologias a semifeudalidade, a semicolonialidade e até a escravidão, na pratica se conclui com a máxima da música “O Papa é Pop” dos Engenheiros do Hawaii. Espectro do Cerrado é o título de um trabalho composto por pinturas bordadas sobre tecido e uma instalação de tecidos pendurados sobre carvão no chão. Tudo para chamar atenção para a destruição do segundo maior bioma da América do Sul. O Cerrado é fundamental na distribuição das águas que abastecem o Brasil. E vem sendo devastado pelo agronegócio. E pelo fogo pré-plantações.  
 
Durante uma longa viagem de ônibus, cruzando o cerrado, no inverno seco e negro de queimadas que deixam rastros de carvão e árvores retorcidas, a artista Ropre se viu entre “espectros do cerrado”, quase desaparecido entre cinzas. Sentiu em seu coração um apelo silencioso da natureza. “Gaia”, em mitologia grega a Mãe-Terra, suplica por socorro. Por isso as mãos se levantam sobre carvão em oração aos céus. Em contra ponto, um canal de TV aberta exibe nos intervalos de sua programação a campanha publicitária “Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo”. A campanha faz parte de uma ofensiva ideológica do latifúndio, por meio do monopólio da imprensa, com o intuito de construir uma imagem perante o povo de que o latifúndio é “a indústria da riqueza do Brasil”, de que é o latifúndio que “desenvolve” o país. Porém, o latifúndio tradicional e de nova roupagem (agronegócio) que concentra em suas mãos mais da metade das terras rurais do país e conta com uma série de benefícios fiscais do velho Estado, gera menos emprego que a agricultura camponesa. Além disso, o latifúndio é menos produtivo que a agricultura camponesa se levarmos em conta a quantidade e o tamanho das terras utilizadas e as condições adversas de produção, circulação e comercialização das mercadorias enfrentadas pelos camponeses no país. São estes e não o latifúndio os principais responsáveis por abastecer grande parte de nosso mercado interno. Associando-se a esta informação, sabemos que o segundo maior bioma da América do Sul, o Cerrado, vem desaparecendo a cada ano. Este que tem o papel central na distribuição das águas que abastecem boa parte do Brasil, pois é onde nascem vários rios que integram seis das principais bacias hidrográficas brasileiras - Parnaíba, Paraná, Paraguai, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Amazônica -, e mais de cem espécies diferentes de frutas, das quais apenas 40 são exploradas comercialmente. O equilíbrio desse ecossistema, contudo, está ameaçado pelo avanço da agricultura em larga escala. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 20% das espécies de plantas e animais exclusivas ao bioma já foram extintas, e ao menos 137 espécies de animais da região correm o risco de desaparecer.
 
O Cerrado é um dos biomas mais antigos e biodiversos do mundo. Começou a se formar há pelo menos 40 milhões de anos e abriga centenas de espécies de animais e plantas que só existem lá. Para sobreviver às longas secas que ocorrem na região, muitas árvores locais desenvolveram sistemas de raízes extremamente profundas e ramificadas. Graças a essas raízes, várias espécies do bioma jamais perdem as folhas, nem mesmo no auge da estiagem. As raízes podem ser muito mais extensas que as copas das árvores, o que faz com que o Cerrado seja conhecido como "floresta de cabeça para baixo". Árvores presentes no bioma - entre as quais buriti, pequi, jatobá e baru - garantem ainda uma dieta rica para os habitantes da região.  
 
Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o ecossistema brasileiro que mais alterações sofreu com a ocupação humana. A expansão da agricultura e da pecuária representam o maior fator de risco para o Cerrado. As duas principais ameaças à biodiversidade do Cerrado são a monocultura intensiva de grãos e a pecuária extensiva de baixa tecnologia. Isso sem falar no fogo constante que devasta enormes áreas, vegetação e animais. E este fogo é o que se vê no trabalho de Ropre. Apagado. Destruidor de uma paisagem da qual está acostumada por sempre ter vivido no cerrado entre Minas Gerais e Bahia. O preto do solo carbonizado e o roxo/marrom da poeira e fuligens no céu.  
 
A artista ressalta que a possibilidade de realizar uma exposição de pinturas e levar uma discussão sobre natureza versus agronegócio intensifica a experiência dela com o público, estudantes e freqüentadores da biblioteca, que será levado a indagações atuais sobre o ecossistema e o sistema de exploração capitalista do meio ambiente, criando uma oportunidade de trocar percepções sobre o agronegócio que devasta/destrói/corrói a natureza.  

Fontes: Texto “‘Agro é pop’: cultivando desinformação e elogiando a escravidão” de Vinicius Alves no XVI, nº 196 - 2ª quinzena de setembro de 2017 - A NOVA DEMOCRACIA;  
BBC NEWS BRASIL.  
 
Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia em 2010, Alessandra Cunha, ou Ropre, atua constantemente em exposições em galerias e museus, no exterior e no país. Já participou, até o momento, de aproximadamente 250 exposições coletivas e 41 exposições individuais e uma residência artística. Pesquisa imagens impressas e pinturas híbridas contemporâneas. Recebeu prêmios em salões e editais de artes por suas obras. Participou de diversas mostras, entre elas da Galeria Luiz Canará 2017, em Boa Vista, RR; no “XXXVIII Salão de Artes Plásticas Waldemar Belisário” 2015, em Ilhabela, SP; no “72º Salão Ararense de Artes Plásticas Antonio Rodini”-Contemporâneo 2013, Araras, SP; no “V Salão de Artes Plásticas de São José do Rio Preto” 2012, SP; em 2016, a artista participou de exposição no Museu de Arte da Fundação Cultural de Blumenau.  
 
Esta exposição foi contemplada pelo Edital PROPEX 11/2018 de Exposições Temporárias de Arte Visuais Salão Angelim 2019.  
Abertura da exposição: 10/09 às 20h
Aberto a toda comunidade.  
Entrada gratuita. 

Data: 10/09 a 26/09
Horário: Segunda a sexta: 7h30 às 21h45 Sábado: 8h às 17h
Local: Câmpus 1 - Salão Angelim - Mapa
Informações: Divisão de Cultura | cultura@furb.br | 47 - 3321 -0399
Publicação: Cultura

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